quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Elo com o Paraíso



Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento.

Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.
(Milan Kundera)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Eu Sou



“No princípio era o Verbo”.
Entre as várias interpretações dessa assertiva afirma-se que o Universo se fez através de uma ordem expressa de Deus.
As palavras têm um peso muito grande em nossas vidas: elas elogiam e criticam, perdoam e condenam. É através das palavras que nos dirigimos ao Deus Supremo. As palavras, as ações e o pensamento é que dinamizam, movimentam o Universo e temos observado que agora, mais do que nunca, as pessoas estão orando. Descobriram que a oração as fortalece, dá-lhes alento e através delas as situações difíceis do mundo podem ser modificadas. Não importa qual nosso credo, interessa que direcionemos as palavras ao nosso Eu maior, canal de dupla mão:“ peça e receberá, bata e a porta se abrirá”.
Não é necessário que usemos palavras convencionais, orações formais. Embora saibamos que o peso das palavras geram uma onda energética. Existem várias orações que são fruto de um momento mágico quando foram proferidas, tais como o Pai-Nosso, a oração de São Francisco de Assis, a Prece de Cáritas, entre outras, e que se perpetuaram. Se notarmos, veremos que todas elas pedem e agradecem. Automaticamente, elas agradecem antecipadamente às graças que pedimos, sem esperarmos para rcebê-las. Esse é o grande segredo.
No Livro de Ouro de Saint Germain (editora Ponte para a Liberdade) aprendemos que as orações não são pedidos lamurientos à Divindade. Como Jesus nos ensinou, sabemos que basta pedir para receber e, portanto, o tratamento deve ser dirigido em tom de certeza do retorno. Bastou pedirmos e receberemos. E como já sabemos, somos células divinas, partes de Deus. Da mesma maneira que não imploramos ao nosso fígado, ou pulmões ou rins e às células que os constituem que funcionem normalmente, também não precisamos implorar a Deus. Nós esperamos que ele nos atenda, temos certeza que ele já nos atendeu.
Mas a recíproca é verdadeira: embora uma partícula divina, Deus espera que cumpramos nossas funções, ele não nos implorará que atendamos aos preceitos, espera que façamos nossa parte na evolução.
Se não precisamos implorar a Deus, quem somos nós, então? Já sabemos que somos egos, personalidades, que temos dentro de nós a divindade, o canal que faz a ligação direta com o Poder maior, o Deus supremo. Nosso self é esse canal de ligação, é a perfeição. Então, dentro e fora de nós, intrínseco em nós, existe o EU SOU, que é nosso Eu Superior ou Real, é o Deus que habita em nós, é o que realmente Eu Sou, independentemente da personalidade através da qual eu me expresso, é minha essência. “EU SOU o Caminho, a Ressurreição e a Vida”.
No instante em que paramos de duvidar da célula divina que nos habita, no momento em que temos a certeza de que Deus nunca nos faltará porque ele existe em nós, nessa hora expressaremos e verbalizaremos as palavras: eu sou porque EU SOU, reconhecendo nossa própria divindade.
Então, quando dizemos EU SOU isto, EU SOU aquilo, estamos colocando Deus em Ação. Pôr outro lado, quando afirmamos “não sou isso, não sou aquilo, eu não posso, eu não tenho (e tantos outros não)”, também estaremos incitando uma ação.
Dessa maneira, temos que mudar definitivamente nossas afirmações, vigiarmos severamente nossos pensamentos e palavras para não incorrermos no erro de programar incorretamente nossa vida.. Se eu digo eu sou, estou mesmo dizendo EU SOU; se eu digo eu não sou, também estou dizendo eu NÃO SOU, NÃO TENHO, NÃO POSSO.
Em qualquer das duas formas, sou ou não sou, estou movimentando uma ação e estarei recebendo exatamente o que estou pedindo. Da mesma maneira temos que vigiar para não expressarmos o EU SOU acrescido de qualquer adjetivo negativista, por exemplo, eu sou doente, eu sou infeliz, pois dessa maneira também estaremos expressando a Ação e essa ação se realiza. Temos sempre que expressar o EU SOU positivamente, tal como “eu sou sadio, eu sou feliz”.
Então, o primeiro passo à partir de agora é mudarmos nossos pensamentos, expressões e verbalizações.
Quando em digo EU SOU, tenho mesmo que acreditar que sou, sou feliz, saudável, tenho abundância, tenho o que preciso. Sugerimos uma oração, um apelo que dirigiremos diariamente ao Universo, para permanecermos fiéis ao EU SOU e, à partir daí, tudo mudar em nossa vida:

“A primeira expressão de todo indivíduo em qualquer
ponto do Universo, quer seja em palavra falada, quer
em pensamento ou sentimento silencioso é EU SOU,
ao reconhecer sua própria Vitoriosa Divindade”.
(Saint Germain)
Texto extraído do livro de nossa autoria, "Felicidade e Evolução"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

É Tempo de Amar!


É tempo de sonhar...

Doces sonhos...

Onde não há tempo...

Não há distâncias...

Quero voar!

Viajo no tempo,

Cubro todas as distâncias...

Velejo nas ondas do vento,

Tendo como bússola o coração...

Refresco-me na saudade,

Encontro anjos e astros...

Sinto-me leve, solta...

Respiro AMOR

Emano FELICIDADE

Encontro VOCÊ,

Sob a luz do luar...

Desperto!

Já não sonho...

É tempo de amar

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Acabou nosso Carnaval

MARCHA DA QUARTA FEIRA DE CINZAS

Acabou nosso carnaval, ninguém, ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar

Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz

Imagem: "Quarta Fera de Cinzas", obra do pintor alemão, Carl Spitzweg
Letra: Vinicius de Moraes
Música: Carlos Lyra
Primeira gravação: Jorge Goulart, em fevereiro de 1963

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Noite dos Mascarados

Chico Buarque de Holanda, 1966


Quem é você?
Adivinhe, se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:
Quem é você, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro
Poeta e cantor
O meu tempo inteiro
Só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte
Não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte
Nasci pra sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot

Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser

sábado, 2 de fevereiro de 2008

É Carnaval!!!!

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Literatura e Carnaval: Fragmentos de um inventário da alegria

Quando Jorge Amado publicou seu primeiro romance em 1931, o Brasil já era O país do carnaval. O protagonista da narrativa retornava ao país depois de anos em Paris. Voltara afrancesado e pedante, achando que tudo aqui representava atraso. Ele aporta no Rio de Janeiro em pleno carnaval: a cidade ferve de calor e alegria e o samba corre em todos os ouvidos. Ele observa tudo entre o olhar crítico e lascivo e enfim rende-se aos encantos da festa.

Este exemplo nos dá uma impressão de que existe uma vertente da cultura letrada interessada no tema, a ponto de fixar sua atmosfera nas páginas de literatura. Nada mais cabível num país que, de forma bastante original, forjou para si um momento de catarse coletiva, dando indícios de uma identidade cujos traços de irreverência, crítica e insatisfação podem mostrar-se, embora escondidos sob a máscara da celebração com música, cores, imaginação e sensualidade. Materiais mais do que adequados para exercícios de plasticidade descritiva, que a literatura faz, entre as reflexões sobre o homem e sua condição. Os nossos escritores não ficaram alheios a isso, sobretudo na literatura do século XX.

Se mapearmos a produção literária brasileira, em diversos gêneros, observaremos a recorrência do tema. Desde João do Rio, uma tradição se fortaleceu. O cronista escreveu sobre a magia e a lascívia dos cordões, das guerras de confete, dos corsos, das fantasias, dos encontros às escuras e sobre como a Rua do Ouvidor se tornava intransitável. O seu carnaval era o da região central do Rio, com seus blocos de sujos e entrudos. Em “O bebê de tarlatana rosa”, seu conto mais conhecido, essas práticas são ficcionalizadas, porém envoltas numa atmosfera que beira o horror e causa nojo. Numa linguagem totalmente pessoal, o escritor manda seu recado: caídas as máscaras, pode-se encontrar podridão. Ele abriria, assim, caminhos para o Modernismo. Aliás a própria Semana de Arte Moderna ocorreu em fevereiro. Mera coincidência?

Mário de Andrade foi um dos que soube fazer do carnaval pano de fundo para situações de seus personagens. Em Amar, verbo intransitivo, a narrativa finda com uma cena de carnaval. Na paulicéia desvairada e carnavalesca não há espaço para as tristezas, mas para os projetos de um futuro que chegará depois da quarta-feira de cinzas.

Oswald de Andrade, em Pau Brasil, deixou poemas sobre o tema. Mas foi com “Escapulário” que pôde virar item de carnaval. Os versos “No Pão de Açúcar/De cada dia/Dai-nos Senhor/A Poesia/De cada dia” foram musicados por Caetano Veloso, transformando-o em um sambão bem adequado a um desfile momino e à necessidade de poesia no cotidiano que os carnavalescos, às vezes, entendem bem.

Manuel Bandeira publicou, antes da Semana, um livro de poesia apropriadamente intitulado Carnaval. Ali aparecem pierrôs, colombinas, arlequins, fantasias e musicalidade que sobra num poeta que transita do simbolismo para o varguardismo modernista. O “Sonho de uma terça-feira gorda” e o “Poema de uma quarta-feira de cinzas” são expressões de um pensamento poético que já ruma para o cotidiano, ao qual o poeta será freqüentemente associado.

Mesmo Clarice Lispector lembrou-se do carnaval no conto “Restos do carnaval”, em que uma menina fantasiada de flor vive a tristeza de ter a mãe doente em casa. Depois de ter saído na chuva para conseguir remédio, a flor murcha, a fantasia se destrói; e a sua única salvação seria ainda ser reconhecida como flor, e não como simples menina... Clarice ainda estava longe de mostrar a alegria de que é constituído o festejo, pois mostra-se uma alegria difícil e melancólica de um carnaval quase malogrado.

Luís Fernando Verísssimo colocou num de seus contos de verão uma situação de carnaval. Trata-se de um flerte de crianças, que só ocorre no carnaval e se repete no baile do ano seguinte. A cada ano, uma nova fantasia; até que “Bandeira branca” anuncia a terna alegria do romantismo de carnaval...

Alegria fácil ou difícil, o fato é que o carnaval permanece tema que mobiliza os escritores. A adoção do tema por prosadores e poetas chama a atenção para seu senso de oportunidade no trato com o material de que se origina a literatura: como pretexto para escrever sobre coisas da vida, toma-se o carnaval como ambiente para a problemática de personagens – a festa se entremeia a vidas. Neste sentido, a literatura, como outras manifestações artísticas, apodera-se do vivido pelo povo como forma de representar o real. E o carnaval faz parte deste nosso real.


Por Miguel Leocádio Araújo