quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Constatação


Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos pais. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história. O grave é que estamos lidando com crianças mais 'espertas', ousadas, agressivas e poderosas do que nunca.
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.
Os últimos que tiveram medo dos pais e os primeiros que temem os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito.
À medida em que o permissivo substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam as suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.
Mas, à medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, e, ainda que pouco, os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim.
Quer dizer, os papéis se inverteram, e agora são os pais quem têm de agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e 'tudo dar' a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão.Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca.
Apenas uma atitude firme e respeitosa lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, os carregando e rendidos à sua vontade.É assim que evitaremos o afogamento das novas gerações no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino. Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado e profundo respeito.

'Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos'.

Texto:Mônica Monasterio (Madri-Espanha)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Para lhe Deixar Feliz...


Mário Quintana

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar
lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Imagem: Árvore da Felicidade, Polyscias guilfoylei ‘Laciniata’; Família das araliáceas; Origem: Ásia, Polinésia; Porte: arbusto de até 2 metros; Flores: insignificantes e raras; Propagação: por estaquia da ponta de ramos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Magnólias


AS MAGNÓLIAS ESTÃO FLORIDAS.
Não precisei ver.
A beleza das flores minúsculas
não chega através dos olhos,
como as flores dos ipês.
Chega através do nariz.
Perfume delicioso.
Há um condomínio elegante
em Campinas todo arborizado com magnólias.
Mas notei que havia uma exceção:
uma casa em cuja frente não havia magnólias.
Um morador me informou que a moradora
mandou cortar as magnólias
porque suas folhas sujavam as calçadas.
ONDE NASCE O PENSAMENTO:
O que todo mundo diz é que o pensamento nasce no cérebro.
Discordo.
Acho que ele nasce nas mãos.
Pensamos a partir daquilo que nossas mãos fazem.
Quem segura vassouras pensa em varrer.
Muitas pessoas de mãos delicadas e anéis de brilhante no dedo,
ao mandar cortar as árvores
revelam que, na verdade,
suas mãos foram educadas pelas vassouras.
Ainda não se desgrudaram das vassouras...

RUBEM ALVES

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Unidade do Ser


São em número de 6 os principais Livros Sagrados a que temos acesso para nosso crescimento pessoal: o Bhagavad-Gita, o Antigo Testamento, o Tri-Pitakas, o Novo Testamento, o Alcorão, e o Kitáb-i-Aqdas.
O Kitáb-i-Aqdas é o mais recente livro sagrado da humanidade, revelado em árabe em meados do século passado. Ficou acessível ao Ocidente no ano de 1993 através da tradução para o inglês, a partir da qual rapidamente procedeu-se à tradução para inumeráveis outros idiomas, inclusive para a língua portuguesa.

Foi escrito por Bahá’u’lláh, que também foi o iniciador da Fé Bahá’í , religião mundial independente, com suas próprias leis e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia, atual Irã em 1844, que não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio. Tem como um de seus objetivos principais promover a criação de uma sociedade planetária sem distinção de raça, cor, credo, nacionalidade ou filiação política.
Os ensinamentos de Bahá'u'lláh se voltam à unidade do gênero humano. Para a consecução desta meta, ele delineou os princípios básicos, que levados à prática, dariam início a um novo estágio na história humana: a livre pesquisa da verdade, sem influência ou preconceito, isto é, a verdade é uma só e é indivisível. Alertava a humanidade para ver Deus "com seus próprios olhos" e não pelos de outrem. Assim formulara o princípio de que a revelação divina é contínua e progressiva. Ou seja: existe Um Deus, Uma Verdade, Uma Humanidade. Estamos diante de uma grande escola que seria a humanidade. Os professores desta escola chamaram-se Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Cristo, Buda, Maomé, o Báb e agora Bahá’u’lláh. Todos ensinaram o amor ao próximo, o amor a Deus, e trouxeram leis e ensinamentos adequados à época em que vieram.
Os Bahá'ís são aqueles que seguem os ensinamentos de Bahá'u'lláh, e que se dedicam à causa da paz mundial e à fraternidade humana. A Fé Bahá'í ensina que da mesma forma que só existe um Deus, assim também existe somente uma Religião. Todos os grandes Profetas têm ensinado esta mesma e única Religião. Não há salvação exclusiva para os hindus, judeus, zoroastrianos, budistas, muçulmanos, cristãos ou Bahá'ís. Todas as religiões, puras e sagradas, são a eterna Religião de Deus que persistirá para sempre. Existe apenas uma Religião Divina para todas as idades. Ela é eterna, viva, crescente e progressiva.
A Comunidade Bahá’is, com aproximadamente 6 milhões de adeptos, é a segunda religião mais difundida no mundo, superada apenas pelo Cristianismo, conforme afirma a Enciclopédia Britânica. Os Bahá’ís residem em 178 países do mundo, em praticamente todos os territórios e ilhas do globo.
Estabeleceu-se no Brasil desde fevereiro de 1921, e hoje os bahá’ís formam um contingente de aproximadamente 47.000 pessoas, das mais diversas classes sociais, culturais e econômicas, residentes em aproximadamente 1.215 cidades e municípios brasileiros, em todas as regiões.
Em 1992, durante a realização da Conferência Mundial para Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco 92, a Comunidade Bahá’í dirigiu a palavra a todos os Chefes de Estado e Governo na Conferência Oficial, e ofereceu à cidade do Rio de Janeiro e a todos os que promoveram a Conferência Mundial, um monumento em forma de ampulheta, dedicado à Paz Mundial, estabelecido no Aterro do Flamengo. Na cintura do monumento foram colocada porções de terra de 85 países, exemplificando a conhecida frase de Bahá’u’lláh de que "a terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos".

"Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar afetuoso e acolhedor.
Sê um tesouro para o pobre, advertência ao rico, resposta ao clamor do necessitado, guarda fiel da santidade de tua promessa.
Sê reto no teu julgamento e discreto nas tuas palavras. Com ninguém sejas injusto e a todos mostrai brandura.
Sê como lâmpada para os que caminham nas trevas, alegria para o triste, água para o sedento, refúgio ao abatido, sustentáculo e defesa da vítima da opressão.
Integridade e retidão sejam a divisa de todos os teus atos.
Sê lar para o forasteiro, bálsamo para o sofredor, fortaleza para o perseguido.
Sê olhos para os cegos e farol para os pés dos desencaminhados.
Sê face da verdade, sê adorno; coroa, na fronte da fidelidade; coluna no templo da retidão; sopro de vida, no corpo da humanidade; emblema dos que buscam a justiça; estrela sobre o horizonte da virtude; orvalho no solo do coração; arca no oceano do conhecimento; sol no céu da generosidade; jóia no diadema da sabedoria; luz radiante no firmamento de tua geração; fruto na árvore da humanidade."

Bahá’u’lláh
(1817-1892)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Dança Comigo?


Dança comigo, segura minha mão,
estremeço...
Deixo-me conduzir por você e pela música.
Precisão de movimentos numa linguagem poética!
Dança comigo, expressando emoções
que invadem o corpo, desnudam a alma...
Puxa-me assim, e envolve meu corpo,
gesto que seduz.
Faz com que nossos corpos se aproximem.
Seu olhar seduzindo-me nos acordes dos
seus carinhos.
Suavemente coloca minha cabeça em seu peito
Aperta-me em teu coração, respiro teu perfume
exalando sensualidade e hipnotizando –me
Delicia sentir sua mão
espalmada em minhas costas nuas...
Perco a noção,
entorpece-me, quando desenha a linha da coluna.
Dança comigo,
Sinta-me...
Deixa a música da minha ternura, ser a sinfonia da sua alma.
Não quero abrir os olhos, deixe que este momento
seja eterno.
A boca procura meu pescoço, a voz rouca ao ouvido,
enlouqueço...
Vem...
dança...
Fecho os olhos enquanto me beija em silêncio...
E continuo dançando, seduzida pelas carícias, e suspiros...
Não apresse esta hora mágica.
Vem, dança comigo...
Até a eternidade de o nosso sonhar...
Até a música acabar...
Ou até aonde o amor for capaz de nos levar...
Dança comigo...

(Glória Salles)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Quanto você Vale?



Peça para um publicitário descrever um botão de camisa.
Você ficará deslumbrado com tantas funcionalidades que ele vai achar
para o botão, e vai até mudar o seu conceito sobre o pobre botãozinho.

Peça para uma pessoa apaixonada descrever a pessoa amada,
aquela pessoa bem "feiazinha" que você conhece desde a infância,
e vai até pensar que ele está falando de outra pessoa.
O apaixonado enche a descrição de delicadezas,
doçura e gentilezas, transformando a fera em bela em instantes

Peça para o poeta descrever o sol e a lua, e você vai se encantar pelos poderes
apaixonantes da lua, pela beleza do sol que irradia seus raios
como se fossem gotas do milagre divino no arrebalde da tarde quente,
onde o amor convida os apaixonados para viver a vida intensamente.

Peça para um economista falar da economia mundial,
e tome uma lição de números e mercados,
bolsas e câmbios oscilantes, inflação e mercados emergentes,
e se não sair de perto, vai acreditar que, em breve,
teremos a maior recessão da história e que a China
é o melhor lugar do mundo para se viver.

Agora, peça para uma pessoa desanimada
ou depressiva falar da vida, do sol, da lua, dos botões,
das rosas e do amor para você ver.
Pegue um banquinho e um lenço,
e sente-se para chorar.
É só reclamação,
frustração, dores, misérias
e desconfiança geral.

Você sente a energia lhe contaminando,
vai fazendo mal, vai lhe deixando sem forças,
porque os desanimados, os reclamões e depressivos
tem o poder vampiresco de sugar energias do bem
e transformar em medo.
E o medo paralisa as pessoas de tal forma,
que fica difícil até o mais simples pensar.

E você?
Como é que você descreve a sua vida?
Quem é você para você mesmo?
Como seria um comercial da sua vida?
Como você venderia o produto "você"?
Você é barato, tem custo acessível
ou é daquelas figuras caras, daquelas que não tem tempo
para perder com a tristeza e com o passado?
Você tem 1001 utilidades?
Aliás, você vive em que século mesmo?

São os seus olhos que refletem
o que vai na sua alma, e o que vai na sua alma
se reflete na qualidade de vida que você leva.
É o seu trabalho que representa o seu talento,
ou não?

Por isso, não tem outro jeito,
seja o melhor divulgador de você mesmo,
valorize-se,
esteja sempre pronto para dar o seu melhor,
com seu melhor sorriso,
com sua melhor roupa,
com seu melhor sentimento,
com suas melhores intenções,
com sua gentileza
sempre pronto para entrar em ação.

Seja Omo, Brastemp, Lux de luxo,
e se for chocolate, que seja logo Godiva,
suíço e caro,
porque gente especial igual a você
não existe em nenhum mercado,
e tem que valer sempre mais.

Valorize-se!
não importa o que você faz,
importa sim como você faz.
Isso sim, faz toda a diferença!


Texto: Paulo Roberto Gaefke